A poucos dias de sessão, últimos aliados começam a abandonar Cunha
Por Redação Publicado 10 de setembro de 2016 às 12:58

Dos mais 18 deputados que declararam voto pela cassação, 9 são do centrão e 5 do PMDB, inclusive do Rio

BRASÍLIA — A “onda” contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Câmara levou o apoio à sua cassação a redutos em que ainda era considerado forte, como em seu próprio partido, inclusive no Rio de Janeiro, e no centrão. Dos 18 deputados que nesta sexta-feira declararam voto pela perda do mandato na enquete do GLOBO, nove são do centrão e cinco do PMDB. Até ontem, já eram 297 os parlamentares que prometiam votar pela cassação, 40 a mais do que os 257 necessários.

Nos principais partidos do centrão (PP, PR, PSD, PRB e PTB), 68 dos 164 deputados já abandonaram Cunha. No PSD, inclusive, a maioria da bancada de 35 parlamentares se posicionou desta forma. No PMDB, 20 dos 66 deputados declararam voto contra Cunha. Destes, quatro são do Rio, 40% da bancada. Cunha, aliás, já vê a maioria dos seus colegas fluminenses defenderem sua cassação: são 23 dos 45 votos do estado.

Um líder da base governista resume o sentimento de vários parlamentares. Diz ser constrangedor ter que votar contra Cunha, mas classifica como “inevitável”.

— Todo mundo fica triste, constrangido. A gente sabe que ele prestou um serviço no impeachment (da ex-presidente Dilma Rousseff), mas, sinto muito, não dá para conviver com isso — afirmou o líder.

Uma amostra de como há mobilização pela cassação foi dada pelo deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ). Ele está licenciado do mandato para comandar a Secretaria de Habitação e Cidadania do Rio, mas comunicou que reassumirá na próxima segunda-feira para votar a favor da cassação. Ele ressaltou ter combinado com o prefeito Eduardo Paes que voltaria à Câmara pontualmente para votar em questões que considera fundamentais para o país e, para ele, essa é uma delas.

— Inobstante eu não tenha participado das votações no Conselho de Ética e na CCJ, acompanhei todas as sessões e me convenci no sentido de votar pela cassação. Estarei presente na sessão de segunda. Eu me exonerei para votar no impeachment, na eleição do Rodrigo Maia e faço agora— – justificou Zveiter.

O candidato a prefeito pelo PMDB, deputado Pedro Paulo, também anunciou que reassumirá o mandato para votar pela cassação de Cunha. Peemedebistas do Rio afirmam que desde que Cunha tentou tirar o hoje ministro do Esporte, Leonardo Picciani (RJ), da liderança do partido a maioria da bancada se afastou dele. Entre os fluminenses, Washington Reis e Fernando Jordão seriam os que ainda têm proximidade com o ex-presidente da Casa. Reis votou contra a cassação de Cunha no Conselho de Ética e não se posicionou agora. Jordão admite que pode se ausentar, o que ajudaria o ex-presidente.

— Aqui no Rio, onde teria os principais amigos, é emblemática a perda de apoio — afirmou um deputado fluminense.

Mesmo a estratégia de Cunha de tentar a esvaziar a sessão tende a fracassar. O líder do PSD, Rogério Rosso (DF), afirmou que sua bancada está liberada para votar de acordo com sua consciência, mas acredita que a maioria estará presente.

— Historicamente a bancada do PSD é uma das mais assíduas e não deve ser diferente na segunda — disse Rosso.

Cunha continua tentando convencer os deputados que não merece ser cassado. Além de cartas, reforça o pedido por meio de mensagens e, para alguns, chega a telefonar. Nas mensagens, contam deputados, o tom não é de intimidação, mas apelativo. Pede que considerem os argumentos da defesa com isenção, diz que não mentiu à CPI, e apela para evitar que uma “injustiça” seja cometida contra ele, acabando com sua carreira política e destruindo sua família.

Para os deputados, sem sucesso em evitar o quorum, Cunha tentará adiar a votação, com recursos ao plenário, para depois das eleições. A avaliação da maioria, porém, é que dificilmente será possiver adiar mais uma vez essa decisão.

(* Renan Xavier é estagiário sob supervisão de Paulo Celso Pereira)

Fonte: O GLobo

Economia Ministros do Tribunal Superior Eleitoral discutem conceder mais prazo para as defesas da ação Dilma-Temer se manifestarem no processo. Se eles acatarem as chamadas preliminares dos advogados, o julgamento- que começará na semana que vem- pode ser suspenso. O presidente do TSE, Gilmar Mendes, deve marcar o julgamento para o começo da semana que vem. Antes do ministro Herman Benjamin entrar no mérito do seu voto (cassa ou não), ele começa pelas preliminares. As preliminares são contestações e circunstâncias levantadas pelas partes do processo. A defesa da ex-presidente Dilma Rousseff pediu, antes das alegações finais, que o relator concedesse mais prazo para que eles pudessem analisar documentos sobre a Lava Jato que haviam sido anexados ao processo. Eles queriam cinco dias, mas Benjamin concedeu 48 horas. Segundo ministros ouvidos pelo blog, a corte pode decidir durante o julgamento na semana que vem conceder os cinco dias às defesas. São cinco dias corridos. Se isso ocorrer, o julgamento que deve começar na semana que vem será suspenso e os advogados são intimados. Depois dos cinco dias, as defesas apresentam novas alegações finais e o julgamento já pode ser pautado novamente. O julgamento poderia ser pautado novamente na semana da Páscoa. Na quarta-feira, porém, o feriado no Judiciário começa na quarta-feira. Além disso, o ministro Gilmar Mendes estará no exterior. Neste cenário, o ministro Henrique Neves não participa do julgamento. O mandato de Neves acaba dia 16 de abril. Na semana seguinte à da Páscoa, o ministro Gilmar Mendes participará de um evento no exterior, que começa dia 18 de abril em Portugal. Depois, ele acompanha no domingo dia 23 de abril eleições presidenciais na França. Sua previsão de volta é a última semana de abril. Nas contas de integrantes da corte, o julgamento só deve ter nova data a partir da última semana de abril.