Governo vê prejuízo de R$ 11 milhões e veta contratos com Proteco e Provias
Por Redação Publicado 10 de agosto de 2016 às 11:55

O governo de Mato Grosso do Sul aponta irregularidades em três obras estaduais, que teriam causado prejuízo de pelo menos R$ 11 milhões aos cofres públicos, e determina a proibição das empresas Proteco Construções e Provias Engenharia de participarem de licitações com a administração estadual. A decisão administrativa é desdobramento do comitê criado pelo Executivo, que investiga problemas levantados na Operação Lama Asfáltica, em que ambas empresas, entre outras, são investigadas.

Em relação à Proteco, trata-se da execução da obra da MS-171, que, segundo as investigações, foi feita de forma “parcial”. Na relação, que está no Diário Oficial do Estado desta quarta-feira (10), há uma série de serviços que não foram feitos pela empresa, mas cobrados, como desmatamento, escavação carga e transporte de materiais, não foram realizados trabalho de cascalhamento e também não foram cumpridos itens relacionados à bueiro, semeadura, entre outros.

Ainda segundo o governo, após a entrega da obra e a confecção do levantamento, a Proteco “sem autorização” deu início a realização de serviços na 171. Nova planilha de cálculo apontou prejuízo de R$ 2.430.598,32, neste caso.

“Resta demonstrado que ocorreu a inexecução parcial do objeto do contrato, bem como que os atos praticados pela empresa, foram graves, visando enriquecer-se ilicitamente à custa do erário público”.

A outra obra questionada, neste caso feita pela Provias, refere-se à reestruturação do leito estradal da MS-184, entre a BR-262 e MS-228, em Corumbá. Neste caso, segundo o governo, comparando as medições e as notas apresentadas para pagamento, foi constatado prejuízo de R$ 6.307.974,39. Para o governo, os problemas na obra causaram “danos diretamente à Administração”, o que configura, inclusive, ilícito penal.

Em outra decisão administrativa, o governo absolve a Provias e condena a Proteco. A situação se refere à obra de recuperação da estrutura da faixa de rolamento da MS-228. Neste caso, foram atestados prejuízos de R$ 2.962.136,00 e constatado que o termo de recebimento foi assinado pela procuradora da Proteco, Elza Cristina Araújo dos Santos, também presa na Lama Asfáltica.

Não foram realizados na sua totalidade o item escavação e carga de material de jazidas, sendo que nas medições e respectivas notas fiscais foram medidos e atestados pela Comissão de Fiscalização da empresa. No caso da Provias, a obra executada por ela, que trata da recuperação da estrutura da faixa de rolamento da MS-228, com aplicação de revestimento primário e implantação de dispositivos de drenagem, cumpriu o contrato.

A priori, a decisão é que, tanto a Proteco quanto a Provias, não poderão participar de qualquer licitação de obras com o Estado, enquanto continuarem os problemas nas obras ou até que as empresas devolvam o prejuízo apontado pelo comitê.

Devolução – O assessor jurídico do Estado, Felipe de Mattos, confirma que as duas empresas não poderão mais participar de licitações com o poder público estadual. Explica que as decisões são desdobramentos do comitê, criado em junho. Agora, outras obras deverão passar por perícia para comprovar se de fato houve prejuízos financeiros.

A ideia, ainda segundo Felipe, é que o governo reúna um determinado número de obras, cuja execução houve desfalque, para acionar a Justiça, para que as empresas devolvam o dinheiro público supostamente desviado. “Vamos reunir uma monta maior (de possíveis prejuízos) para entrar na Justiça”. Depois das constatações de irregularidades e o esgotado o prazo de resposta das empresas, o Executivo afirma que “tomará as medidas cabíveis no sentido de ressarcir” os cofres públicos.

Nesta semana, o governo também comunicou a abertura de processo administrativo contra cinco servidores, referente a oito obras, uma delas a MS-171, que estaria sob a gestão do engenheiro Wilson Roberto Mariano, preso nas duas fases da Lama Asfáltica.

fonte: Campo Grande News

Notícias O Estado pode ser ressarcido pelos gastos com trotes aos serviços de emergência, que envolvem remoções, resgates, combates a incêndios e ocorrências policiais. É o que defende o projeto do deputado Cabo Almi (PT), que foi apresentado na Assembleia. Veja Mais › Prefeitura pode remanejar servidor ou chamar aprovados, sugere juiz › Decisão de romper convênios é forma de estancar sangria nos cofres, diz juiz A proposta ainda prevê que esta cobrança (ressarcimento) será feita via fatura do serviço telefônico, que originou a chamada e o trote aos serviços de emergência. O valor desta reparação pode começar por 50 uferms, que equivalem a R$ 1.219,00. Se houver reincidência nesta atitude, pode ter que pagar o dobro. Caberá aos órgãos e as instituições públicas que realizam estes serviços de emergência, divulgarem as tabelas de consumo, com cada etapa das rotinas de atividades, descrevendo os custos de triagem das chamadas, assim como os deslocamentos das equipes. O autor do projeto diz que a intenção é diminuir o número de trotes recebidos pelos serviços públicos, com o ressarcimento dos gastos. “Estes trotes desviam recursos e esforços financeiros e humanos dos responsáveis pela segurança pública”, justificou. A matéria foi encaminhada para as comissões permanentes, para depois ser apreciada em duas votações no plenário da Assembleia. Os deputados devem avaliar a legalidade e o mérito da proposta. Caso seja aprovada, segue para sanção do governador Reinaldo Azambuja (PSDB).